Doenças Cardíacas

Estresse e as doenças de coração


Por Dr. Roberto Yano
7 de outubro de 2020

Muito se fala sobre a associação entre estresse e as doenças de coração, mas o que realmente sabemos?

Primeiramente precisamos compreender do que estamos falando quando usamos o termo estresse. Isso porque estresse é um temo do senso comum geralmente associado a doenças psiquiátricas como depressão e, principalmente, ansiedade!

Estresse e as doenças de coração

O que é o estresse?

Estresse é uma reação natural do corpo ao perigo e ao cansaço. A pessoa estressada pode apresentar sintomas físicos como respiração ofegante, coração acelerado, músculos do corpo contraídos, pupila dilatada, entre outros sintomas.

No entanto, o estresse pode virar uma doença quando esse quadro se apresenta de forma crônica.

Esses sintomas quando passam a se repetir podem caracterizar um quadro de ansiedade e depressão.

Mas qual a relação dessas doenças psiquiátricas como o coração?

Há interação entre doenças psiquiátricas e coração?

Segundo nos apontam as pesquisas disponíveis, há uma frequência na apresentação de doenças psiquiátrica, concomitantes com doença arterial coronariana e outras doenças cardiovasculares.

Os sintomas depressivos e do transtorno de ansiedade já são reconhecidos como fatores de risco para as doenças do coração, influenciando, inclusive no prognóstico negativo dessas doenças. Ou seja, quem apresenta depressão ou ansiedade pode morrer de doenças cardíacas com mais frequência, segundo os números.

O que apontam as pesquisas?

Segundo as pesquisas, os números são alarmantes: os portadores de doenças psiquiátricas como depressão ou ansiedade apresentam uma taxa de mortalidade que varia entre duas ou três vezes mais do que o restante da população, quando possuem também doenças do coração!

Ou seja, é necessário tratar depressão e ansiedade inclusive como forma de prevenir a morte por doenças do coração!

Por outro lado, depressão e ansiedade são também doenças psiquiátricas frequentemente encontradas em indivíduos com doenças cardiovasculares, o que pode complicar ainda mais o quadro e dificultar o sucesso do tratamento!

Como essa associação pode ser tratada

Um dos maiores problemas indicados pela pesquisa, é que apesar de a depressão e da ansiedade serem frequentes em pacientes com doenças do coração, esse quadro é bastante ignorado durante o tratamento.

Isso porque as discussões sobre o impacto da depressão e da ansiedade sobre os quadros de pacientes com doenças de coração ainda é muito recente, mas já se pode afirmar com certeza que às duas doenças psiquiátricas se apresentam como fatores de risco para quem tem doenças cardíacas!

A DAC, doença arterial coroniana é a maior causa de incapacidade e morte no mundo todo, portanto, todo esforço no sentido de diagnosticar e tratar as doenças psiquiátricas associadas que agravam o quadro precisa ser medida atuante de saúde pública.

Depressão que provoca a doença cardíaca?

É possível que os pacientes deprimidos desenvolvem doenças cardíacas com mais frequência que o restante da população. Sabe-se que pacientes com depressão apresentam um risco aumentado em 1,6 de apresentar evento cardíaco nos dois primeiros anos após o diagnóstico da doença de coração.

Há evidências em pesquisas que apontam também uma maior possibilidade de morte após infartos em pacientes com depressão.

Dado esse quadro crítica da associação entre doenças psiquiátricas e doenças de coração, a sugestão é que, no tratamento feito pelo cardiologista, também seja investigada a possibilidade de que o paciente apresente quadro depressivo ou ansioso patológico.

As recomendações para essa triagem envolvem buscar identificar doenças psiquiátricas nos pacientes com doença de coração nos diversos locais de atendimento, como hospitais, pronto-socorro, consultório e centros de reabilitação.

Assim que forem levantadas as hipóteses de diagnóstico de doenças psiquiátricas em pacientes com doenças de coração, esses pacientes precisam ser avaliados por profissionais habilitados e tratados por equipe multidisciplinar.

Também é necessário o monitoramento contínuo desses pacientes com associações de doenças psiquiátricas e cardíacas de forma coordenada, especialmente em quadros de comorbidade acentuada.

Um grande abraço!


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